sexta-feira, 4 de maio de 2012

Filosofia: Somos livres ou escravos da liberdade?


Somos livres ou escravos da liberdade?

Aparentemente o título não faz sentido, mas antes de iniciar essa viagem pelo pensamento, precisamos definir qual o conceito de liberdade que estamos falando. Para isso iremos “filosofar à marteladas” conforme Friedrich Wilhelm Nietzsche.







 (Apenas coincidência o Mario ser parecido com o Nietzsche?)

Para Nietzsche, o conceito de liberdade encontrado em nossa cultura está diretamente relacionado ao conceito de culpa ou pecado, ou seja, somos livres para fazer o que quisermos, porém temos que assumir as consequências dos nossos atos para assim não termos que conviver com a culpa.
Dessa forma quando buscamos a liberdade acabamos encontrando os limites dessa liberdade, e se praticarmos essa liberdade até a sua ultima possibilidade teremos que conviver com as consequências dos nossos atos. Portanto, a própria busca pela liberdade é que destrói a nossa falsa impressão de que somos livres, e assim nos tornamos escravos da liberdade (ou culpa).
Continuando com a reflexão, podemos lembrar das palavras do filósofo brasileiro Clóvis de Barros Filho, que para ilustrar determinada situação fala sobre a condição da vida de um gato. Para Barros Filho, o gato (ou qualquer outro animal) é que realmente é feliz, pois o gato age de acordo com os seus instintos, ou seja, o gato se alimenta pois sente fome, dorme quando tem sono, e assim satisfaz o seu instinto, sem que seja necessário tomar decisões, por isso de forma alguma um gato sonhará com  possibilidade de voar ou mergulhar pois isso não faz parte da natureza do felino. Já nós seres humanos podemos escolher do que iremos nos alimentar, se de hamburgueses gordurosos ou de alfaces desanimadores, se de chocolate ao leite ou de sopa de chuchu, e assim saciamos não só o nosso instinto mas também o desejo, exercendo a nossa liberdade de escolha,  e ainda sonhamos em voar, por exemplo, mesmo que isso não faça parte da nossa natureza. 
Devemos lembrar que cada escolha, representa também uma renúncia. ex.: se escolho um suculento hambúrguer, estou escolhendo também problemas de saúde, mas se escolher sopa de chuchu, estou escolhendo uma coisa totalmente sem graça, mas que é saudável.
Dessa forma, quem é realmente feliz e livre? O gato que não precisa decidir sobre nada, pois haje conforme a sua natureza, ou nós que somos livres para tomar decisões mas que temos que conviver eternamente com as renúncias e a culpa de comer saborosos hambúrguer e entupir as artérias?
Qual a sua resposta?

Obs.: Como o próprio Clóvis de Barros Filho afirma: enquanto a auto-ajuda tem uma resposta para as nossas angústias existenciais, a filosofia não resposta para nada, pelo contrário, ela questiona tudo nos fazendo refletir.

Um abraço a todos e espero que vocês encontrem as suas respostas.

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