Somos
livres ou escravos da liberdade?
Aparentemente
o título não faz sentido, mas antes de iniciar essa viagem pelo
pensamento, precisamos definir qual o conceito de liberdade que
estamos falando. Para isso iremos “filosofar à marteladas”
conforme Friedrich Wilhelm Nietzsche.
(Apenas coincidência o Mario ser parecido com o Nietzsche?)
Para
Nietzsche, o conceito de liberdade encontrado em nossa cultura está
diretamente relacionado ao conceito de culpa ou pecado, ou seja,
somos livres para fazer o que quisermos, porém temos que assumir as
consequências dos nossos atos para assim não termos que conviver
com a culpa.
Dessa
forma quando buscamos a liberdade acabamos encontrando os limites
dessa liberdade, e se praticarmos essa liberdade até a sua ultima
possibilidade teremos que conviver com as consequências dos nossos
atos. Portanto, a própria busca pela liberdade é que destrói a
nossa falsa impressão de que somos livres, e assim nos tornamos
escravos da liberdade (ou culpa).
Continuando
com a reflexão, podemos lembrar das palavras do filósofo brasileiro
Clóvis de Barros Filho, que para ilustrar determinada situação
fala sobre a condição da vida de um gato. Para Barros Filho, o gato
(ou qualquer outro animal) é que realmente é feliz, pois o gato age
de acordo com os seus instintos, ou seja, o gato se alimenta pois
sente fome, dorme quando tem sono, e assim satisfaz o seu instinto, sem que seja necessário tomar decisões, por isso de forma alguma um gato sonhará com possibilidade de voar
ou mergulhar pois isso não faz parte da natureza do felino. Já nós
seres humanos podemos escolher do que iremos nos alimentar, se de
hamburgueses gordurosos ou de alfaces desanimadores, se de chocolate
ao leite ou de sopa de chuchu, e assim saciamos não só o nosso instinto mas também o desejo, exercendo a nossa liberdade de escolha, e ainda sonhamos em voar, por exemplo, mesmo
que isso não faça parte da nossa natureza.
Devemos lembrar que cada escolha, representa também uma renúncia. ex.: se escolho um suculento hambúrguer, estou escolhendo também problemas de saúde, mas se escolher sopa de chuchu, estou escolhendo uma coisa totalmente sem graça, mas que é saudável.
Devemos lembrar que cada escolha, representa também uma renúncia. ex.: se escolho um suculento hambúrguer, estou escolhendo também problemas de saúde, mas se escolher sopa de chuchu, estou escolhendo uma coisa totalmente sem graça, mas que é saudável.
Dessa
forma, quem é realmente feliz e livre? O gato que não precisa
decidir sobre nada, pois haje conforme a sua natureza, ou nós que
somos livres para tomar decisões mas que temos que conviver
eternamente com as renúncias e a culpa de comer saborosos hambúrguer
e entupir as artérias?
Qual
a sua resposta?
Obs.:
Como o próprio Clóvis de Barros Filho afirma: enquanto a auto-ajuda
tem uma resposta para as nossas angústias existenciais, a filosofia
não resposta para nada, pelo contrário, ela questiona tudo nos
fazendo refletir.
Um
abraço a todos e espero que vocês encontrem as suas respostas.


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